segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A diferença que o otimismo pode fazer em sua vida

A frase “O mundo pertence aos otimistas: os pessimistas são meros espectadores”, atribuída ao ex-Presidente dos Estados Unidos Dwight Eisenhower, vem confirmando-se dia a dia. Estudiosos da Física Quântica, após várias pesquisas científicas, confirmaram por meio de várias experimentações, dentre estas a da “fenda dupla” que a matéria se comporta de acordo com o olhar do observador. Tal fato vem comprovar também uma afirmação de Masaharu Taniguchi de que “A vida é resultado de nossos pensamentos”. A partir de tal pressuposto, somos desafiados a nos avaliar: como estou encarando a minha vida? Quais são os pensamentos que predominam em minha mente? Eu sou uma pessoa otimista?
Gosto muito do trocadilho “A tendência do pessimista é ter uma vida péssima, enquanto que a tendência do otimista é ter uma vida ótima!”. Afastando-nos de conceitos acadêmicos e nos centrando na nossa vida diária, podemos considerar o otimismo como uma ferramenta emocional que pode nos ajudar a alcançarmos nossas metas e objetivos aparentemente complicados.
O otimismo é um dos conceitos nos quais o ser humano se apoia para dar uma resposta emocional positiva à sua vida. Ele pode ser definido como o foco que desenhamos para lidar com as situações que acontecem em nossa vida. Diante de uma mesma dificuldade, podemos assumir diferentes atitudes e gerar pensamentos diferentes. Por exemplo, uma pessoa que foi atropelada, sobreviveu e foi conduzida a um Hospital. Diante da pergunta: “Como você está?” poderemos obter diferentes respostas. Se ela for uma pessoa pessimista, provavelmente irá responder que está muito mal, que quase morreu, que é uma azarada, que está com o corpo todo doendo e seguir com várias lamentações. Por outro lado, se a pessoa atropelada, costuma olhar para a vida de forma otimista, provavelmente dirá que está bem e que irá se recuperar, que é uma pessoa de sorte, pois poderia ter morrido e está viva, pronta para outra!!! Diante dessa situação, não é difícil concluir quem sairá primeiro do Hospital e consequentemente com qual pessoa seria mais fácil e prazeroso conviver.
A partir dessa simples descrição, podemos nos dar conta da importância do otimismo, que age como catalisador para configurar nossas percepções e fortalecer as nossas condutas. Dentre as características das pessoas otimistas, podemos citar:
• Bom humor: é o melhor cartão de visitas. Isso não significa estar o tempo todo rindo ou fazendo piadinhas, mas significa que nos momentos pessoais ruins seremos pessoas capazes de ajudar e escutar os demais.
• Focar na solução e não no problema: desenhar vantagens e soluções diante dos problemas transforma-nos em seres ativos em renovação contínua, capazes de aumentar nossa capacidade de descobrimento pessoal.
• Ter esperança: significa ter sentimentos positivos em relação ao futuro. Acreditar em seus sonhos.
· Ter atitude: agir com determinação diante de todas as circunstâncias. Fazer bem feito tudo o que for fazer.

Desenvolver o otimismo em nossa conduta diária trará novas revoluções ao nosso motor vital. É o pilar básico para lutar contra a apatia e o desânimo, principais culpados por criar inconvenientes em nossa realidade.
O otimismo não é uma emoção das pessoas que tentam se distanciar das responsabilidades e simplesmente pensam positivo. O verdadeiro poder do otimismo está em nós mesmos, e exige um esforço diário; uma atitude ativa diante da rotina.
O conhecimento pessoal vai nos ajudar a definir nossa vida, os inconvenientes, desejos ou qualquer outra vontade emocional que tivermos. Gerenciando corretamente o otimismo, desenharemos um plano estratégico saudável e puro que nos permitirá “atacar” as diferentes situações da nossa realidade, trazendo-nos força e benefícios.
Por fim, mas não menos importante, devemos saber discernir e controlar as sensações que certos ambientes e/ou pessoas pessimistas oferecem. Muitas vezes este será um dos testes mais duros que teremos que enfrentar, superar ou integrar de maneira positiva em nossa vida, o que reforçará o nosso otimismo e a nossa esperança. Vamos cultivar cada dia mais pensamentos e sentimentos otimistas, o resultado será uma vida mais feliz!!!
Luciane Sippert
Texto publicado na Coluna “Metamorfose”, do Jornal Novo Noroeste, em 26.08.2016.



sexta-feira, 11 de março de 2016

APRENDER GERA FELICIDADE

Vivemos em uma sociedade em que a conquista da felicidade muitas vezes está associada à busca pelo dinheiro, beleza e poder. No entanto, estudos científicos relacionados à neurociência, realizados nos Estados Unidos desde a década de 90, têm apresentado inúmeras descobertas especialmente relacionadas ao cérebro e às emoções. Dentre estas descobertas, destacam-se os resultados de exames capazes de mapear no cérebro as emoções, ou seja, a área do prazer ou sofrimento que uma pessoa sente com qualquer tipo de atividade.
Quando temos uma experiência que gere prazer, esta nos traz uma satisfação e uma sensação de plenitude. Esta sensação corresponde à felicidade e tal emoção aciona partes específicas do cérebro, com isso foi possível constatar algumas situações que realmente geraram prazer para as pessoas. Surpreendentemente, os exames demonstraram que pessoas extremamente ricas, belas e poderosas apresentaram muito mais emoções ligadas à dor e ao sofrimento do que ao prazer como muitos esperavam. O medo de ser assaltado ou sequestrado, o medo de engordar, envelhecer ou perder o poder era muito maior que a felicidade que o dinheiro, a beleza e o poder poderiam proporcionar.
Estranhamente, constaram também que algumas pessoas sentem prazer ao sentir dor, pois possuem a crença de que precisam sofrer de alguma forma para se redimir de alguma culpa. O que segundo a médica e palestrante Anete Guimarães estaria relacionado ao circuito culpa-recompensa, o qual de alguma forma precisa ser rompido pelo autoconhecimento, mas este é um assunto que dá muito pano pra manga e pretendo abordar em outro momento.
O que me fez trazer esta reflexão foi justamente a constatação de que a atividade que mais felicita o homem é APRENDER. E neste início de Ano Letivo faço questão de enfatizar isso. Quando as pessoas estão aprendendo, as áreas do cérebro que registram as emoções relacionadas ao prazer são as mais ativas. Da mesma forma, o sentimento de SUPERAÇÃO gera endorfinas, que produzem uma sensação de alegria e bem estar na pessoa. Assim, é muito importante não apenas começar com todo o gás, mas mantê-lo no decorrer do ano, procurando superar-se a cada dia.
Reafirma-se assim um pensamento da sabedoria popular “Poucas coisas são necessárias para fazer feliz o homem sábio, ao mesmo tempo, nenhuma fortuna satisfaria um inconformado”. Quanto mais necessidade gerarmos, mais teremos que batalhar para satisfazê-las e o risco de vivermos infelizes é muito maior. Ao mesmo tempo, quanto mais agradecidos nos sentirmos com o que já possuímos e voltarmos nossa mente e nosso coração para o que nos faz feliz verdadeiramente, estaremos dando um grande passo em nossas vidas.
Estar com a família, com amigos, ouvir músicas, contemplar a natureza, fazer uma viagem ou uma leitura agradável, meditar, orar, praticar esportes, trabalhar, estudar, aprender, superar-se... Enfim, procuremos vivenciar experiências construtivas, façamos tudo com amor e sentimento de gratidão. Isso irá gerar emoções que certamente nos farão bem e felizes!!!

Desejo um ano repleto de novas aprendizagens e felicidade a todos!!!
Texto Publicado no Jornal "Novo Noroeste", em 04.03.2016.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A felicidade está na trajetória, não é um ponto de chegada!

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial” escreveu Carlos Drummond de Andrade, pois assim a cada doze meses renovam-se em nós as esperanças de que neste novo ano possamos alcançar os nossos objetivos e conquistar a felicidade. Aqui tenho dois pontos que eu gostaria de comentar. O primeiro diz respeito ao alcance de nossos objetivos, pois ao conversar com algumas pessoas e observar outras, percebo que muitas desejam realizar-se pessoal e profissionalmente, mas não conseguem visualizar o que precisam fazer para alcançar isso. Você já fez sua lista de metas para este ano? Espero que sim, pois quem não sabe o que quer, quando encontra não reconhece! Mas caso não tenha feito, aproveite que ainda estamos no primeiro mês deste ano e dedique alguns minutos para o seu planejamento pessoal. O que você se propõe alcançar em termos de evolução espiritual, moral, intelectual, profissional neste ano? Toda equipe que deseja participar de um jogo ou uma competição precisa planejar jogadas, criar estratégias, traçar metas, vivenciar cada momento, dar o seu melhor para chegar lá!!! Vencer, entretanto, não é o mais importante, mas estar inteiro no que for fazer, saber que deu o seu melhor, que se superou!!! O nosso sucesso não deve ser medido em relação ao outro, mas em relação a nós mesmos. “Querer é poder!”, “Somos responsáveis pela nossa felicidade ou infelicidade”, “Você pode, se acreditar que pode!”, essas e outras frases de pensamento positivo ditas por inúmeras pessoas iluminadas estão apenas parafraseando o Mestre dos mestres Jesus já afirmou há mais de 2000 anos: “Se tiveres fé fará as coisas que faço e fará coisas ainda maiores”. A fé não está à venda em nenhum lugar, cada um de nós precisa encontrá-la dentro de si mesmo e externalizá-la!!! Estamos vivendo o mais importantes de todos os jogos, o “jogo da nossa própria vida”!!! Agora é a hora de tomarmos a decisão e traçarmos nossas metas, o ponto de chegada, no entanto, não é o mais importante, e é este o segundo ponto que eu gostaria de tocar “a conquista da felicidade”. A felicidade não está em um ponto de chegada, ela está na trajetória, ela é o caminho, por isso a necessidade de vivermos intensamente o agora, que como a própria definição de tempo nos apresenta é o nosso “presente” e como todo presente precisa ser desfrutado com sabedoria e muito amor!!!Colocando AMOR e SABEDORIA em nossos pensamentos, sentimentos e ações certamente nos sentiremos envolvidos pelas boas vibrações que nos fornecerão o combustível adequado para seguirmos em frente e fazermos deste ano o melhor ano de nossas vidas!

Luciane Sippert - sippert.luciane@gmail.com

Texto publicado no dia 16 de janeiro de 2015, na Coluna Metamorfose, do Jornal Novo Noroeste.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

COMPARTILHO TEXTOS GENTILMENTE CEDIDOS PELO PROFESSOR CELSO ANTUNES PARA COLABORAR NA REFLEXÃO SOBRE ANÁLISE DA AVALIAÇÃO E APRENDIZADO




GLÓRIA

Extraordinária professora, grande avaliadora da aprendizagem de seus alunos.

Glória, professora em três escolas particulares de excelente padrão, como a maior parte das pessoas que conhecia adorava se avaliar. Não que fosse vaidosa, mas sabendo o valor de uma boa impressão, jamais saía de casa sem se cuidar diante do espelho, na seleção das roupas e no cuidado com calçados e tudo mais essencial a quem sempre foi elegante. Mais ainda, Glória não saia de casa sem avaliar se portas e janelas estavam trancadas, se os eletrodomésticos estavam desligados e não havia descuido das coisas no lugar que deveriam estar. Avaliava também seu automóvel, dirigia com cuidado avaliando manobras, caminhos e distâncias e, ao chegar à escola, avaliava sem nem mesmo perceber que avaliava seus diários de classe, seus livros e, é claro, seus colegas e suas amigas. Com não abria mão da importância de persistente e contínua avaliação, avaliava também seus alunos.

Nunca confundia “prova” com “avaliação”, pois sabia que a mesma era circunstancial e a avaliação atitude reflexiva, consciente e permanente. Mostrava a todos que não existe educação verdadeira que não se preocupa com o progresso de seus alunos e nesse sentido mostrava-se menos preocupada com resultados numéricos deste ou daquele e bem mais com sua evolução, ainda que lenta e progressiva, ao estudar, fazer tarefas, trabalhar em grupo, apresentar lições, enfim, participar plenamente das aulas. Orgulhava-se, sem qualquer presunção, de que não bastava ser boa professora, mas era essencial ser também uma professora completa e isso incluía avaliar continuamente e avaliar muito bem.

Para não esquecer todos os princípios de deveriam nortear a avaliação que fazia, criou algo como um acróstico, fazendo com que cada uma das cinco letras de seu primeiro nome a lembrasse dos critérios com que aferia, um a um, o progresso de seus alunos.

Por esse motivo, com a letra “G” de Glória destacava que toda avaliação deveria ser “Global” e, dessa forma, acompanhar os avanços ou recuos de cada aluno, seus interesses e suas motivações. Com a letra “L” esforçava-se muito para produzir uma avaliação “Libertadora”. Dizia sempre que “progredir é se libertar” e que não pode existir liberdade verdadeira para quem não cresce com os conteúdos conceituais que domina e os incorpora ao seu cotidiano, com as competências que na escola se aprendia para na vida exercer e para as habilidades com as quais se emoldura essas competências. Lembrava que as competências essenciais eram “saber fazer, decidir e resolver” e que estas requeriam habilidades que davam qualidade e requinte a esses verbos.

Com terceira letra de seu nome “O” Glória buscava sempre que seus critérios de avaliação fossem “Otimistas” e, por isso mesmo, buscava em todas as linguagens de seus alunos a sua prosperidade, verdadeiramente “garimpava” em suas ações nos textos, nos discursos, nas aulas, nas provas e nas lições a sempre almejada evolução. Sabia que uma avaliação Global, Libertadora e Otimista inevitavelmente desembocaria em uma avaliação “Reveladora” dessa forma contemplando a quarta letra do seu nome. Uma avaliação com essa essência buscava pontos fracos para mudar, falhas ainda que pequenas para aprimorar. Um cuidado que Glória jamais omitia era que seus alunos pudessem dispor de avaliação “Integradora” e assim olhava com cuidado a diversidade culturas da classe, a bagagem linguística que traziam e, sobretudo, sua situação de aluno novo ou antigo, integrado aos colegas ou em busca ansiosa dessa integração.

Glória jamais deixou de estudar o tema da avaliação e não havia artigo ou tese, livro ou ensaio que não buscasse procurando sempre associar cada descoberta às letras de seu acróstico. Sabia que sua avaliação era verdadeiramente “Apaziguadora” e, por isso, seus alunos a recebiam sem medo, anseio ou tensões, antes descobrindo em cada erro não a vergonha, mas a busca de acerto.

A única tristeza de Glória em seu lindo trabalho era perceber que em alguns de seus colegas a preocupação avaliadora se distanciava do cuidado pedagógico, acreditando apenas em provas e em resultados como se cada aluno representasse quase nada a mais que um bilhete de loteria.



VYGOTSKY E A SUTILEZA DO “MÁXIMO” E DO “ÓTIMO”


O “máximo” é o maior de todos. Adjetivo que qualifica aquele que não tem rival. O “’ótimo”, bem mais modesto, representa apenas o muito bom, o melhor possível.

Se me perguntarem se prefiro uma lembrança que é o “máximo” ou uma que será “’ótima”, creio que ficarei com a primeira, pois uma ótima lembrança poderá se equiparar a outras lembranças ótimas, mas jamais chegará aos pés de uma lembrança que, sendo o máximo, será inigualável, aquela que jamais poderá admitir comparações.

Mas, se existe essa hierarquia entre esses adjetivos e na mesma o máximo sempre se colocará acima do ótimo, também existe entre eles uma diferença crucial: o “máximo” é de uso coletivo e se é o maior, sempre discriminará os demais, enquanto que por sua vez o “ótimo”, pode abrigar um sentido pessoal. Meu ótimo de apetite, ou de sono, não é igual ao seu, ainda que ambos sejam satisfatórios. Se um ditador maluco impusesse um apetite máximo, obrigatório a todos, faria com que muitos fossem obrigados a se empanturrar além da conta e outros passassem fome; afinal o máximo para um não necessita ser necessariamente o máximo para outro; mas as coisas se abrandariam caso se decretasse um “apetite ótimo”, pois nesse caso, cada um consumiria as efetivas necessidades de seu corpo.

Transpostas para a sala de aula e voltadas para a avaliação da aprendizagem, ainda uma vez os conceitos de “máximo” e de “ótimo” mostram realidades diferentes. Avaliar o desempenho dos alunos por um paradigma “máximo” significa estabelecer os limites que se deseja a todos, excluindo os que não o alcançarem. É esta a essência da avaliação somativa que se vê na maior parte das escolas do país. Nessas escolas, cada nota igual expressa valor igual e assim existem notas dos alunos bons e notas dos alunos fracos; existe a ingênua crença de que pessoas diferentes podem expressar resultados iguais. Prevalece a ideia de que existe um degrau que quem não o alcançou deve submeter-se ao reconhecimento de sua óbvia inferioridade.

Foi para muito além do reducionismo doentio dessa avaliação que caminhou Vygotsky. Ao mostrar que a verdadeira avaliação é aquela que se inspira no progresso efetivo de cada um e que este difere de um para outro, enfatizava que uma verdadeira aprendizagem deve buscar o ótimo, jamais o máximo, e que o “ótimo” de alguns não são necessariamente o ótimo de outros.

O “ótimo” que se busca na verdadeira aprendizagem conquistar é expressa pelo efetivo trajeto que o aluno conquistou, pela diferença entre onde chegaria sozinho, e até onde foi possível chegar pela intervenção do mestre.

Constituiu, entretanto, um erro acreditar que uma avaliação através de paradigmas “ótimos” constitua procedimento que envolva o “sistema” e, portanto, que não cabe a este ou aquele professor mudar, se o sistema não mudou. Essa visão representa preconceito colonialista, ideia retrógrada que admite que tudo que vem para mudar vem das autoridades constituídas, do poderoso “patrão”. Ora, o verdadeiro professor será sempre patrão de si mesmo e se acredita que é chegada a hora de livrar-se do preconceito retrógrado de avaliar através de conceitos máximos e mínimos, assumindo como Vygotsky um novo conceito de avaliação por paradigmas ótimos, jamais alguém será incapaz de impedi-lo e descobrirá o efetivo progresso de cada aluno, mesmo tendo que expressá-lo através de um número. Um professor que, em seus alunos, busca o ótimo, sabe de seus erros fazer desafios.


UM NOVO PARADIGMA PARA A AVALIAÇÃO


Uma avaliação coerente é sempre a ideia central em todo processo de mudança.

Se, por exemplo, meu objetivo é perder dois quilos em dez dias, somente posso saber se a meta foi alcançada ou o processo necessita ser corrigido, se disponho de uma boa balança. Mas, se a balança funciona para avaliação quantitativa e como ela funciona também para outras medidas o termômetro, barômetros, relógios ou uma fita métrica, torna-se bem mais difícil conceber um instrumento avaliador preciso, para explorar mudanças significativas na aprendizagem. Talvez, a única certeza que sobre esse tema se têm é de que não existe aprendizagem sem que exista uma transformação. Uma coisa é ser capaz de guardar por algum tempo, alguma informação na memória, outra coisa muito diferente é “aprender” e dessa forma deixar de ser a pessoa que se era e ser capaz de fazer desse novo saber, uma ferramenta para mais facilmente construir outros saberes. É, pois, no sentido de uma verdadeira e significativa aprendizagem, que se procura buscar um bom método avaliativo.
Celso Antunes e Luciane Sippert na Palestra "Novas Formas de
 Ensinar e  Novas Maneiras de Aprender", Humaitá - RS.

Talvez um caminho coerente para essa busca seja uma análise da evolução humana e a identificação de quais comportamentos desenvolvidos pela espécie, foram efetivamente significativos para sua transformação. A humanidade saiu das cavernas e hoje viagem pelo espaço, não porque isso estava programado em seus genes, mas porque desenvolveu procedimentos significativos que a fizeram evoluir. Dessa forma, sabendo quais são esses procedimentos e aplicando-os as diferentes inteligências humanas, talvez se possa chegar a um instrumento avaliativo se não perfeito, ao menos sem as aberrantes falhas de se dar nota às respostas dos alunos.

A primeira busca que se acredita pertinente para a criação desse instrumento é indagar, pois, quais procedimentos são e foram comprovadamente úteis para a evolução da humanidade. Um exame atento dos desafios enfrentados e dos resultados obtidos leva-nos assim a quatro ações que, naturalmente, podem ser desdobradas em muitas outras. Não se chegou onde estamos sem a capacidade de PLANEJAR, sem uma relativa RAPIDEZ para colocar em ação o planejamento e assim superar os inimigosuma VERSATILIDADE para ajustar os dois primeiros itens a nova e diferentes situações e para improvisá-lo quando ocorrência inusitada se abatia e, finalmente, sem uma necessária COOPERAÇÃO entre os membros da espécie. Essa ideia abarca a descoberta de soluções para problemas, a lógica dessa solução, a harmonia para perpetuar essa conquista e a certeza de que a força coletiva é sempre imensa quando canalizada a um mesmo objetivo.

Toda a essência que Darwin nos propõe se sintetiza nessas ações, mas a sofisticação da linguagem que viver no mundo de agora nos impõe, admite que essas ações possam distribuir-se pelas diferentes inteligências humanas. A capacidade de planejar um texto, uma palestra, uma aula ou uma excelente argumentação jurídica, por exemplo, não significa competências similares à de se planejar a construção de uma casa ou a fabricação de um foguete e por isso, essas ações necessitam se refletir as inteligências LINGÜISTICA, MATEMÁTICA, LÓGICA, ESPACIAL, SONORA, SINESTÉSICA, NATURALISTA E PESSOAL.

Se, agora pensarmos uma sala de aula convencional e um aluno que, independente da série que frequenta, necessita ser avaliado de forma coerente, pois se ali está, está para que se apure como pode se transformar, transformando o mundo, basta cruzar ações e inteligências e se aferir seu efetivo potencial. Por exemplo: Guilherme encontra-se acima da média de seus colegas na capacidade de planejar, no poder de transformar seus planos em projetos, na sutileza em adaptá-los e na busca de companheirismo para colocá-lo na realidade através de uma expressão linguística, e Luciana pode tanto quanto Guilherme através de uma expressão corporal. Conclusão: Guilherme e Luciana são alunos acima da média e estão prontos para evoluir. É irrelevante para Guilherme, a competência espacial, pois para isso ele pode contar com Luciana, e é irrelevante para Luciana a competência linguística. Afinal de contas, ambos descobriram a força da cooperação.
                                          

PLANEJAMENTO
RAPIDEZ
VERSATILIDADE
SOLIDARIEDADE
LINGUÍSTICA




LOGICA




MATEMÁTICA




ESPACIAL




SINESTÉSICA




SONORA




NATURALISTA




PESSSOAIS





AC – ACIMA DA MÉDIA / MC – MÉDIA DA CLASSE / ABAIXO DA MÉDIA

Diante desta referência, cabe uma questão: Como se enquadrar nessas referências os saberes escolares, os conteúdos explícitos de cada disciplina?

É evidente que toda ação requer informação. Sem a mesma, é impossível manifestá-la. Desta forma, todos os conteúdos apresentados aos alunos o seriam sobre a forma de situações problemas multidisciplinares, para que pudessem municiados por essa informação, colocar em ação as suas quatro competências e suas diferentes inteligências.


Autoria: Celso Antunes